A 29ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, realizada em 2025, trouxe um tema potente e necessário: “Envelhecer LGBT+: memórias, resistência e futuro”. Essa escolha escancara um desafio muitas vezes invisibilizado dentro e fora da própria comunidade: o envelhecimento das pessoas LGBT+.
Com o aumento da expectativa de vida no Brasil — 75,5 anos, segundo o IBGE (2023) — cresce também o número de idosos LGBT+. Estima-se que mais de 3 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais se identifiquem como lésbicas, gays, bissexuais, trans ou outras identidades de gênero e orientações sexuais dissidentes. No entanto, esse grupo ainda enfrenta dupla ou até tripla vulnerabilidade, marcada pela discriminação etária, LGBTfobia e solidão.
Muitos envelhecem sem rede de apoio familiar, tendo sido expulsos de casa na juventude. Em consequência, há maior risco de isolamento, depressão e negligência. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) revelou que 60% dos idosos LGBT+ vivem sozinhos, em comparação com apenas 16% entre idosos heterossexuais.
Além disso, o acesso a serviços de saúde e assistência social é limitado. Profissionais frequentemente não estão preparados para lidar com as especificidades dessa população. Pessoas trans idosas, por exemplo, relatam dificuldades em manter o uso de hormônios, além de serem desrespeitadas quanto à identidade de gênero.
A Parada de 2025, ao trazer o envelhecimento para o centro do debate, celebra as memórias de resistência de quem sobreviveu à repressão da ditadura, à epidemia de HIV nos anos 1980 e à marginalização institucional. Ao mesmo tempo, aponta para a urgência de políticas públicas inclusivas, como casas de acolhimento, centros de convivência e atendimento médico humanizado.
Organizações como a ONG Eternamente Sou, em São Paulo, já promovem ações de acolhimento e visibilidade para idosos LGBT+. No entanto, ainda são iniciativas pontuais diante da demanda crescente.
A comunidade em geral pode apoiar a causa LGBT+ para promover a igualdade de direitos e combater a discriminação que ainda afeta milhões de pessoas. O apoio fortalece uma sociedade mais justa, segura e diversa para todos, independentemente da orientação sexual. Além disso, a empatia e o respeito às diferenças são valores fundamentais para a convivência humana e o bem coletivo.
Envelhecer deve ser um direito vivido com dignidade, respeito e segurança — para todos, sem exceção. A luta pela diversidade não termina com o tempo: ela amadurece, se reinventa e segue viva na voz e na caminhada de quem pavimentou o caminho para as novas gerações.
Confira a entrevista do Diego Miguel Felix, Presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-SP no Programa SPTV sobre a Parada LGBT+ 2025 – Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro.
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O envelhecimento populacional é uma realidade crescente no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 28 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, representando aproximadamente 13% da população total . Entre esses, muitos vivem sozinhos, o que requer atenção especial para garantir sua segurança, saúde e bem-estar. Leia mais aqui.