Quedas em casa: o alerta após o caso do fundador da banda Kiss

Quedas em casa: o alerta após o caso do fundador da banda Kiss. Recentemente, a morte do guitarrista e fundador da banda Kiss, Ace Frehley, trouxe à tona um tema que muitas vezes passa despercebido: o risco real das quedas em casa, especialmente quando envolvem o impacto na cabeça. Segundo o relatório médico divulgado pela imprensa internacional, o músico de 74 anos sofreu uma queda em seu estúdio doméstico, que resultou em fratura craniana e hematoma subdural, levando a complicações fatais (The Guardian, 2025). Embora o caso tenha ganhado destaque pelo nome envolvido, situações como essa são mais comuns do que se imagina, principalmente entre pessoas idosas.

A fratura craniana ocorre quando um ou mais ossos do crânio se rompem após impacto. Mesmo quedas aparentemente simples, um tropeço no tapete, um escorregão no banheiro, podem gerar esse tipo de lesão. O hematoma subcutâneo, quando o sangramento acontece sob a pele, costuma ser visível e doloroso; já o hematoma subdural é mais perigoso, pois ocorre dentro do crânio, entre as membranas que revestem o cérebro, e pode comprimir estruturas vitais, elevando a pressão intracraniana. Esse tipo de sangramento é particularmente frequente em pessoas idosas devido à atrofia cerebral, que “tensiona” as veias e as torna mais vulneráveis a rupturas mesmo com impactos leves (National Library of Medicine, 2021).

O envelhecimento, o uso de anticoagulantes e condições como hipertensão e fragilidade óssea aumentam significativamente o risco de complicações. Segundo estudo realizado nos Estados Unidos (2022), quedas ao nível do chão são hoje a principal causa de traumatismo cranioencefálico em idosos. Além disso, muitos episódios ocorrem sem testemunhas e, como os sintomas iniciais podem parecer banais, dor de cabeça leve, tontura, sonolência, o diagnóstico tende a ser tardio. Em alguns casos, o hematoma pode crescer silenciosamente por dias antes de causar sintomas graves.

Para profissionais de saúde que atuam no domicílio, como fisioterapeutas, esse tema exige atenção redobrada. Em uma visita domiciliar, não basta olhar apenas para o paciente, mas também para o ambiente em que ele vive. Pisos escorregadios, tapetes soltos, iluminação inadequada e ausência de barras de apoio são fatores diretamente relacionados a quedas. Quando ocorre uma queda com impacto na cabeça, é fundamental observar se o paciente apresenta confusão mental, fala arrastada, desequilíbrio, vômitos ou sonolência excessiva, sinais que indicam a necessidade de encaminhamento médico imediato para avaliação neurológica e exame de imagem, como a tomografia de crânio (Escholarship, 2024).

O papel da fisioterapia vai muito além da reabilitação após uma lesão. Ela é também uma ferramenta poderosa de prevenção. O fortalecimento muscular, o treino de equilíbrio e o ajuste da marcha são medidas efetivas para reduzir o risco de quedas, conforme apontam diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021) e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Além disso, a educação do paciente e da família é essencial: muitas pessoas ainda acreditam que “bater a cabeça e ficar bem” é sinal de que está tudo certo, quando na verdade pode haver uma lesão interna em evolução.

Casos como o de Ace Frehley são um lembrete de que acidentes domésticos não devem ser subestimados. Uma simples perda de equilíbrio pode ter consequências irreversíveis, e a linha entre um hematoma leve e um trauma grave pode ser muito tênue, especialmente entre idosos. Cabe a nós, profissionais da área da saúde, identificar riscos, orientar, prevenir e agir rapidamente diante de qualquer suspeita. Afinal, garantir segurança no domicílio é também garantir dignidade, autonomia e qualidade de vida.

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